O programa Jovens Multiplicadoras de Cidadania foi criado em 2003 pela ONG Themis com o objetivo de aproximar jovens mulheres moradoras da periferia de Porto Alegre ao acesso à justiça, promover seu empoderamento, incentivar a defesa e a ampliação de seus mais diversos direitos, bem como o exercício do protagonismo juvenil, através da criação de um movimento permanente de ativismo, trocas e promoção dessas práticas e valores em seus locais de atuação e grupos de identidade. A iniciativa surgiu da experiência histórica da Themis na capacitação e assessoria de Promotoras Legais Populares (PLP´s), numa metodologia internacionalmente reconhecida, nominada Metodologia Themis de Acesso à Justiça, somado ao desejo de articular a luta pelos direitos das mulheres às singularidades da condição juvenil.
Formação
As jovens mulheres passam por um curso de capacitação de cerca de cinco meses, numa metodologia que compreende tanto a perspectiva teórica, quanto a socialização das vivências pessoais e o contato direto com experiências juvenis, gestores, militantes, professores, pesquisadores, operadores da justiça e espaços públicos de exercício da cidadania. Tratam de temas como direitos humanos, direitos civis, direitos humanos das mulheres, cidadania, acesso à justiça e aos programas sociais, protagonismo, gênero, sexualidade, prevenção de DST/Aids, juventudes, raça/etnia, classe, violência, educação, diversidade, arte, cultura e comunicação. Passado o curso, reúnem-se semanalmente num local central (geralmente na sede da Themis) e em suas comunidades, tratam de temas de seu interesse, compartilham experiências, dúvidas, angústias, planejam projetos e intervenções. A assessoria da Themis é constante, tanto nas reuniões e ações, quanto na formação continuada.
Após três turmas formadas (2003, 2005 e 2008), hoje o grupo de JMC's é composto por cerca de 54 jovens. A partir de suas singularidades, identidades e autonomia, buscam promover esses princípios através de ações junto a diversos espaços de interlocução, desde seu bairro e cidade, até os mais longínquos horizontes da realidade social. Atuam junto às famílias, escolas, universidades, comunidades, amigas e amigos, centros culturais e comunitários, outros grupos e movimentos, fóruns, conselhos, conferências, encontros, órgãos estatais, Orçamento Participativo, realizam e participam de oficinas, debates, seminários, montam grupos, elaboram e distribuem fanzines, cartilhas e outros meios de comunicação. Abordam os temas trabalhados nos cursos de capacitação, e outros assuntos e reivindicações de seus interesses, procurando articulá-los aos das juventudes.
Protagonismo
O trabalho das JMC's é fundamental para a construção de novas relações, seja através da problematização de “normas” de convívio e de significados culturais, seja no incentivo aos próprios jovens a pensarem em sua condição e se desafiarem à transformação social, mostrando que a história não acabou e que a organização é necessária. Pretendem contribuir no fortalecimento de uma cultura ampla de Direitos Humanos, fundamentada no exercício coletivo do protagonismo cidadão, no respeito às diversidades, à autonomia e à democracia, na construção de condições que garantam igualdade econômica, jurídica, e as mesmas condições políticas e sociais para todas as pessoas. Buscam a criação de um mundo melhor, onde as jovens e os jovens não sejam tratados como futuro, mas sim sujeitos de direitos tão capazes e extremamente importantes para construir novas formas de ver e agir em sociedade. Enfim: estão na correria pelo que acreditam, e não pretendem desistir!